A economia americana manteve o crescimento modesto em setembro, mas muitas regiões sofreram com gargalos em cadeias de suprimento, incerteza com a variante Delta e a falta de mão de obra. Esses fatores obrigaram as empresas a pagar mais para atrair trabalhadores e a repassar os aumentos de custos para os clientes, segundo o Livro Bege do Federal Reserve.

A publicação é um estudo feito pelas 12 regionais do banco central americano junto às empresas e dá uma visão geral da atividade econômica, emprego e preços de cada região, e serve de base para as decisões de política monetária do Fed.

O levantamento mostrou que a inflação segue pressionada, com muitos distritos informando alta significativa de preços pela crescente demanda por bens e matérias-primas. Os aumentos foram disseminados pelo setor industrial, provocados pelas falhas nas cadeias de suprimento.

Pressões vieram também de transportes, falta de mão de obra e de matérias-primas, que afetaram especialmente aço, componentes eletrônicos e fretes. Muitas firmas elevaram seus preços de venda, indicando uma grande facilidade para repassar os custos para os consumidores diante da demanda mais forte. As expectativas para a inflação, por sua vez, variaram entre continuar em forte alta e uma moderação nos próximos 12 meses.

Segundo o Livro Bege, a maioria dos distritos registrou crescimento dos gastos com consumo, mas o setor de carros sofreu com a falta de estoques e alta dos preços. O setor de turismo e viagens teve desempenho misto, com alguns distritos informando melhora nas viagens de lazer e outros sofrendo o impacto da alta dos casos de Covid-19 pelo retorno às aulas.

A manufatura e transportes cresceram entre moderada e fortemente. A perspectiva para os próximos meses se manteve positiva, mas alguns distritos revelaram uma maior incerteza e um otimismo mais cauteloso que em meses anteriores.

Mercado de trabalho

O emprego cresceu em um ritmo modesto, com alta demanda por trabalhadores, mas falta mão de obra, especialmente em tecnologia, transportes e varejo; hotelaria e manufatura tiveram de reduzir a produção pela falta de funcionários. As empresas informaram também alta rotatividade de trabalhadores, com muitos pedidos de demissão ou aposentadoria para cuidar dos filhos ou por exigência de vacina.

A saída das empresas tem sido aumentar os salários iniciais e aumentar a remuneração dos empregados, oferecendo também bônus e condições flexíveis de trabalho.

Texto: Angelo Pavini
Edição: Cintia Thomaz e Stéfanie Rigamonti