
Com aumento da arrecadação, o governo central, composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, reportou superávit primário em setembro, no primeiro saldo positivo para o período desde 2012. O resultado veio melhor do que apontavam as estimativas de mercado.
Em setembro, o saldo positivo foi de R$302,6 milhões, de acordo com dados divulgados pelo Tesouro nesta quinta-feira. Agentes esperavam por déficit de R$6,50 bilhões no período.
O superávit deriva, de acordo com o Tesouro, do crescimento de receitas administradas, que tiveram elevação de R$17,4 bilhões, e na arrecadação líquida para o Regime Geral de Previdência Social, RGPS, em R$2,7 bilhões.
Apesar do dado razoavelmente positivo no período, no acumulado do ano até setembro, o governo registra déficit de R$82,5 bilhões. Já no mesmo período do ano passado, o Tesouro registrou rombo de R$677,4 bilhões. No acumulado em 12 meses, o déficit é de R$154,2 bilhões, equivalente a 1,80% do Produto Interno Bruto.
No mês passado, as despesas totais do governo central apresentaram queda de 36,4% em termos reais, em R$73,3 bilhões, na comparação anual. Já as receitas totais registraram elevação de 12,9%, em R$17,3 bilhões.
Em setembro de 2020, lidando com a pandemia da Covid-19 e medidas emergenciais para conter os efeitos da interrupção da atividade econômica, o governo registrou déficit primário de R$76,2 bilhões.
“Os dados de setembro corroboram a tendência de melhora consistente nas contas públicas ao longo de 2021, resultado da forte arrecadação e da maior focalização das despesas relacionadas ao enfrentamento da pandemia”, complementou o Tesouro em comunicado, não tecendo comentários sobre propostas de rompimento do Teto de Gastos pelo governo.
Texto: Gabriel Ponte
Edição: Guilherme Dogo e Stéfanie Rigamonti