Selic: Diante da deterioração das expectativas do mercado e do aumento da desconfiança no governo, refletida na valorização do dólar — que tem ajudando a elevar ainda mais a inflação deste ano e do próximo —, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, precisou dar um sinal de que não vai deixar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estourar o teto por dois anos consecutivos. Ao fim da reunião de ontem, o Copom acelerou o ritmo de alta da taxa básica da economia (Selic) e elevou os juros de 6,25% para 7,75% ao ano, o maior patamar desde setembro de 2017, quando era de 8,25%. Foi a sexta elevação consecutiva da Selic, que estava em 2% ao ano, o menor nível da história, entre agosto de 2020 e março de 2021. Uma alta de 1,5 ponto percentual foi mais forte do que o sinalizado no último Copom, em setembro, mas era esperada pelo mercado depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciarem que pretendem furar o teto de gastos — regra constitucional que limita o aumento de despesas à inflação — a fim de obter recursos para o novo Bolsa Família. E da pior forma possível, segundo analistas: quebrando regras fiscais e dando pedaladas nos precatórios, que são dívidas judiciais transitadas em julgado.

Fontes: CNN, CNBC, Infomoney, TC, g1, Agência Brasil e BDM